Arquivo para portugues

Inadin

Posted in Uncategorized with tags , , , on setembro 12, 2010 by efeefe

E mais um trecho do Piratas de Dados:

p. 331

Era noite. Uma multidão mal-vestida, de cerca de cem pessoas, tinha-se reunido na frente de uma das cúpulas. Esta estava metade aberta, como um anfiteatro improvisado. Os músicos inadin estavam tocando novamente e um deles dançava e cantava. Sua canção tinha vários versos. Outro inadin dançava ao compasso, às vezes dando um forte grito de aprovação. A multidão acompanhava com satisfação.

– O que ele está dizendo? – perguntou Laura.

Gresham começou a recitar a poesia com sua voz de locutor de televisão:

“Ouve, povo dos Kel Tamashek,
Somos os inadin, os ferreiros.
Sempre vagamos em meio às tribos e clãs,
Sempre levamos suas mensagens.
A vida de nossos pais era melhor que a nossa,
E a de nossos avós, ainda melhor.
Há algum tempo, nosso povo viajava por todo lugar,
Kano, Zanfara, Agadez.
Agora, vivemos nas cidades e somos transformados em números e letras.
Agora, vivemos nos campos e comemos comida mágica, dentro de tubos.”

Gresham parou.

– A palavra que eles usam para mágica é tisma. Significa “a arte secreta dos ferreiros”.

– Continue – pediu ela.

“Nossos pais tinham leite, doce e tâmaras.
Nós só temos urtigas e espinhos.
Por que sofremos assim?
Será o fim do mundo?
Não, porque não somos homens maus,
Não porque agora temos tisma.
Somos ferreiros, que têm a magia secreta,
Somos ourives que veem o passado e o futuro.
No passado, esta terra foi rica e verde.
Agora, é rocha e poeira.”

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Piratas de Dados – tecnomagia

Posted in Uncategorized with tags , , on setembro 12, 2010 by efeefe

Alguns pedacinhos do Piratas de Dados, edição brasileira (bem difícil de encontrar, por sinal) de 1990 do Islands in the Net, de Bruce Sterling:

p. 146

O primeiro-ministro inclinou-se para a frente, os óculos brilhando. Suas medalhas cintilavam.

– Alguns homens negociam com informação – disse para Laura – e outros com a verdade. Mas alguns negociam com magia. A informação flui em torno deles. A verdade flui para você. Mas a magia… Flui através de você.

– Isso é um truque – disse Laura, segurando a borda da mesa. – Vocês querem que eu me junte a vocês. Como posso confiar em vocês? Eu não sou mágica…

– Sabemos o que você é – disse Gould, como se falasse com uma criança. – Sabemos tudo a seu respeito. Você, sua Rizome, sua Rede. Acha que seu mundo abrange o nosso. Mas não é assim. Seu mundo é um subconjunto do nosso – golpeou a mesa com a mão aberta; o barulho foi o de um tiro. Vê, sabemos tudo a seu respeito. Mas você não sabe nada sobre nós.

– Você tem uma piada, talvez – falou Rainey. Estava recostado em sua poltrona, examinando as pontas dos dedos, com os olhos semicerrados e o rosto vermelho. – Mas você nunca vai ver o futuro, o futuro de verdade, até que aprenda a abrir sua mente. Contemplar todos os níveis…

– Todos os níveis debaixo do mundo – continuou Castleman. – Truques, como você chama. A realidade nada mais é senão níveis e mais níveis de truques. Tire esses estúpidos óculos escuros e poderemos mostrar-lhe… Muitas coisas.

p.200

– Por que isso? Por que simplesmente não me telefonou?

– Os telefones não estão funcionando direito – explicou o rapaz. – Estão cheios de fantasmas.

– Fantasmas? – perguntou Laura. – Quer dizer, espiões?

O rapaz resmungou alguma coisa em malaio.

– Ele quer dizer demônios – traduziu Ali. – Maus espíritos.

– Está brincando? – disse Laura.

– Disse que são maus espíritos – repetiu o rapaz, calmamente. – Dizendo ameaças terroristas para semear o pânico e a dissensão, delito, segundo o artigo 15, seção 3. Mas só em inglês, madame! Não usou a língua malaia, se bem que o uso do malaio também seja oficial pela Constituição de Cingapura.

– E o que o demônio dizia? – quis saber Laura.

– Os inimigos dos justos vão queimar com o fogo do inferno – citou o rapaz. – “Turbilhão Jah, para golpear o opressor”. E outras coisas semelhantes. Chamou-me pelo nome – encolheu os ombros. – Minha mãe chorou.

p.210

– Planejaram isto no quartel Fedon. Essa coisa de demônio, projeto demonstração… Tinham trabalhado ali por vinte anos, Laura, tinham tecnologia… não-humana. Eu não sabia nada, ninguém sabia. Posso fazer coisas com esta cidade. Eu e uns poucos irmãos soldados mandados para cá, uns poucos… Coisas que você não pode imaginar.

– Vodu – disse Laura.

– Isso. Com a tecnologia que nos deram, posso fazer coisas que você nem imagina fazer com sua magia.

Posted in Uncategorized with tags , , on fevereiro 3, 2010 by efeefe

montanha magica

Dica tecnomágica do glerm, A Montanha Mágica do Jodorowski. Uma boa resenha aqui coloca que “Ícones, antes de seu sentido espiritual, são construções artísticas“.

Ocultura

Posted in Uncategorized with tags , , on fevereiro 3, 2010 by efeefe

Marcelo Terça-Nada avisa que saiu mais uma fornada de e-books com material do rizoma.net. Uma das publicações dessa vez é da seção “Ocultura”:

RIZOMA.NET – Ocultura


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A experiência sagrada do longínquo

Posted in Uncategorized with tags , , on janeiro 18, 2010 by efeefe

FUJI e a experiência sagrada do longínquo, via Blog do Instituto Sergio Motta

(…) o trabalho FUJI, da artista israelense Nurit Bar Shai. Nesse projeto, inúmeras webcams que transmitem imagens do monte Fuji, no Japão, são conectadas. Segundo a artista “a obra examina a autencidade da experiência à distância da natureza, lugares e ícones sagrados, onde o hiato entre o lugar real e sua representação passam a não existir.” O objetivo é colocar em perspectiva o envolvente imediatismo e a enorme variedade de transmissões ao vivo via Internet, bem como a crescente necessidade de conexão com sujeitos distantes, pórem reais. Essa nova maneira de socializar vem alterando nossa vivência do espaço que, invariavelmente, passa a ser dada por meio de imagens.

Ethereum

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , on setembro 21, 2009 by efeefe

E ainda um pouco mais do Techgnosis de Erik Davis, em tradução livre.

À medida que o mesmerismo perdia a popularidade na Europa do século XIX, ele se tornava uma verdadeira febre nos Estados Unidos. Milhares de pessoas se submetiam às mãos magnetizantes de mesmeritas andarilhos para seu reumatismo, dores menstruais, enxaqueca e melancolia.  (…) Ao mesmo tempo, mesmeritas mais sérios estavam penetrando os miríades de dimensões da consciência humana, e explorando linguagem quase eletromagnética a cada passo. Escalando um arranha-céus neoplatônico de estados alterados, pacientes mesmerizados (hipnotizados) contavam ter sentido “sensações de formigamento” ou “vibrações” fluindo através de si. Alguns experimentavam “ondas de energia” e viam auras de luz. Nos transes mais profundos, algo como consciência cósmica aparecia, à medida que a mente do paciente, dizia-se, alcançava a identidade com a própria força do magnetismo animal. Clarividência, telepatia e outras singularidades paranormais surgiam – fenômenos que o mesmerita Stanley Grimes atribuía ao ethereum, uma “substância material ocupando espaço, que conecta os planetas e a terra, e que comunica luz, calor, eletricidade, gravitação e emanações mentais de um corpo para outro e de uma mente para outra”. Perceba-se que, juntamente a forças físicas, o ethereum de Grimes também comunica “emanações mentais” – ou seja, informação.

Fluidium

Posted in Uncategorized with tags , , , on setembro 21, 2009 by efeefe

Ainda no Techgnosis, pp. 57/58, em tradução livre.

Sem dúvida, o mago supremo da cura magnética era Franz Anton Mesmer, conhecido hoje ora como rei dos charlatães ora como o homem que sem querer deu origem à psicanálise. Nascido em 1732, Mesmer obteve seu título de doutor pela Universidade de Viena, onde escreveu sua dissertação sobre a influência dos planetas no mundo terreno. Para explicar como as forças astrológicas poderiam produzir ação à distância, Mesmer postulou um fluido sutil que ele chamava fluidium, um meio diáfano que comunicava vibrações lunares para as marés da mesma forma que possibilitava que Venus e Júpiter ajustassem os destinos humanos. O fluidium tomava forma no conceito Newtoniano de éter, um fluido invisível que permearia o espaço e serviria como meio estático para a gravitação e o magnetismo, bem como sensações e estímulos nervosos. Para Newton, o éter servia para explicar como os corpos distantes do sistema solar comunicavam-se uns com os outros, e ao mesmo tempo livrar-se da abominável ideia de um universo em que existisse o vácuo. Mas como o próprio trabalho de Mesmer mostra, o éter também funcionava como solo intermediário para todo tipo de intuições animistas e forças ocultas que se recusavam a aceitar as engrenagens e alavancas da cosmologia mecanicista. Dado o lado alquimista do próprio Newton, isso não deveria ser uma surpresa; ele mesmo imaginava que o éter estava abundante de um espírito vital, e mesmo sua linguagem de “atração” gravitacional carregava um traço de Eros, a cola espiritual que os neoplatônicos acreditavam manter o cosmos unido.