n’A Alma do Mundo

Eduardo Viveiros de Castro, no Memória do Futuro (publicação do Itaú Cultural):

Toda a economia no sentido amplo da palavra consiste em certo agenciamento das relações entre a linguagem e as coisas, e essas distinções não são mais possíveis no mundo etnografado por pesquisadores como Julian Dibbell e antropólogos tradicionais. Os dois são chamados normalmente de mundos mágicos, porque a magia é o nome dado a universos que não respeitam ou recusam a distinção entre a linguagem e as coisas, recusam a descontinuidade e entendem que o mundo e a linguagem formam uma figura contínua, seja porque a linguagem é inevitavelmente material, seja porque o mundo é necessariamente significativo.

Segundo as ideias de Weber, essa é a restauração do reencantamento do mundo. O processo de racionalização característico da sociedade ocidental, porém, é o desencantamento do mundo, a perda da cumplicidade originária entre a linguagem e a realidade. O mundo, então, estaria passando por um processo de reencantamento e isso não significa de forma alguma que estaria ficando melhor, e sim tão apavorante quanto antigamente. O mundo mágico não é um mundo tranquilo, ao contrário, é um mundo perigoso e é para esse ponto que os mundos indígenas e contemporâneos convergem.

Uma resposta to “n’A Alma do Mundo”

  1. Super trilhas efe. Super trilhas. Tóin, tirim, tum, tóim, téim, téim, téim (barulho do handshake de modems).
    Abraço

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