Archive for the Uncategorized Category

Feitiços que não funcionam

Posted in Uncategorized with tags , , on outubro 20, 2011 by felipefonseca

Bica mandou na lista MetaReciclagem a dica do Grimório Inócuo:

Já em sua quinta edição, o Grimório Inócuo é uma compilação de feitiços, rituais e encantamentos de diversas origens e para os mais variados fins, todos testados pelos editores, que garantem que nenhum deles funciona.

Ainda que pareça inútil, a obra é de grande valia para os não-iniciados que pretendem praticar magia sem correr os riscos de seus efeitos. Também serve como guia: os feitiços que não estão no livro, em princípio, podem funcionar.

Esta quinta edição, pela primeira vez, foi reduzida em relação à anterior. Oito feitiços foram retirados porque alegadamente funcionaram, dois deles com consequências letais. Ainda que possa ter sido por coincidência ou efeito nocebo, os editores preferiram não comprometer a reputação do Grimório.

Psicogeofísica

Posted in Uncategorized with tags , , on setembro 23, 2011 by felipefonseca

Fabi Borges incitou uma beleza de conversa com ares tecnomágicos na lista da MetaReciclagem. Vale conferir o verso todo por lá:

http://thread.gmane.org/gmane.politics.organizations.metareciclagem/46145

Re(de)ligiões

Posted in Uncategorized with tags , , , , on agosto 1, 2011 by felipefonseca

Kevin Kelly, comentando as ideias de Jim Gilliam:

Penso que precisamos estar preparados para todo tipo de novas religiões baseadas na ideia de uma alma planetária. No sentido de uma única teia de neurônios eletrônicos ao redor do globo, conectando todos os seres senscientes. A Noosfera vai passar de uma especulação hipotética de um padre Católico para um indiscutível concorrente da fé Católica. Veremos a emergência dos Noôsnicos, Globalistas, Sobrementais, Bitmonges, Quantumarianos e uma centena de outras seitas e cultos que levarão a sério a ideia de um glorioso espírito planetário como reflexo do divino.

Teologia Pirata

Posted in Uncategorized with tags , on junho 25, 2011 by felipefonseca

Em resposta a meu post anterior, o Capi mandou o link para esse post esboçando Elementos para uma teologia pirata:

para abandonar o trabalho, as tarefas forçadas, as obrigações todas, é urgente uma educação social, que se orienta a liberdade inclusive espiritual, que seja radical em nunca esquecer o desejo, e em realizar a revolta abandonando a representação. tão radical que não tenha lugar na representação do mundo, e ainda assim a amedronte a ponto de ceder espaço. onde quer que esteja o educador radical, com apenas o cheiro da revolta, é possível multiplicar. é possível atender o desejo na liberdade criativa, realizar o ato de revolta e multiplicar a educação social radical na forma de sonho. trata-se antes de vida que de um projeto de partido.

Zonas Proibidas

Posted in Uncategorized with tags , , , on junho 25, 2011 by felipefonseca

Nosso velho amigo Hakim Bey, escrevendo sobre as No-Go Zones (que eu tomei a liberdade de traduzir como “Zonas Proibidas”).

Eu hipotetizo a possibilidade e realidade de aspectos não-autoritários, autônomos, auto-organizados, não hierárquicos do imenso complexo agrupado na palavra “religião” — o xamanismo, por exemplo, ou o padrão multivalente e infinitamente expansível do “paganismo”, no qual nenhuma cultura pode adquirir monopólio de interpretação ou mesmo hegemonia. Não digo que a Zona Proibida deva ser “religiosa”, eu estou dizendo que ela será “religiosa”, e é “religiosa” — e que se acreditarmos no desejo por algum potencial libertador na ZP, precisamos começar agora a encontrar uma linguagem “religiosa” que reflita e ajude a moldar e realizar esse potencial — ou então vamos encarar uma “religião do fascismo” (cristãos de direita tentando dominar as ZPs) ou uma espiritualidade da entropia. Uma boa razão, por exemplo, para revirar a história do Protestantismo em busca de modelos radicais (Ranters, Diggers, Antinomianos, etc.) seria ressuscitá-los — e não somente para servir de camuflagem. Formas de espiritualidade da terra e do corpo (xamânicas, neopagãs, afroamericanas, etc.) — imanentistas em vez de transcendentalistas — enfatizando um existencialismo dos trabalhos e não da fé, assim eticalismo e não moralismo — tolerância radical para todos os cultos (no modelo “pagão) — desconfiar dos modelos dualistas mas também dos modelos monistas-totalitários – místico mas não ascético — festivo mas não sacrificial. Esses seriam alguns dos modelos propostos por nossa forma de espiritualidade. Nenhum dos meios estabelecidos de propagar uma religião seriam apropriados aqui, entretanto. Assim como precisamos agora reimaginar a “Economia da dádiva”, precisamos também reinventar (ou mesmo fabricar) uma espiritualidade da liberdade relevante ao nosso futuro como habitantes das ZPs — uma espiritualidade da vida cotidiana no sentido estrito da palavra.

Aprendizes…

Posted in Uncategorized with tags , , , , , on abril 28, 2011 by felipefonseca

Choveu muito em Ubatuba nesses últimos dias, principalmente no fim da tarde de domingo. Aqui em casa, a água da área de serviço começou a subir e quase entrou na cozinha. Me meti lá atrás armado de balde, rodo e vassouras. Lutando quase inutilmente contra a água que insistia em avançar, lembrei daquela cena clássica do Mickey lutando contra as águas no trecho “Aprendiz de Feiticeiro” do filme Fantasia.

Feito décadas antes da Disney virar a atual empresa que praticamente investe mais em causas judiciais do que em criatividade, aquele quadro com o Mickey trata de um tema recorrente na história humana: a arrogância de quem ganha um pouco de conhecimento e acha que já sabe tudo. O aprendiz brinca com poderes que apenas vislumbra, e acaba perdendo o controle da situação. Precisa da ajuda do mestre para as coisas voltarem ao normal.

Esse episódio me fez lembrar também de uma decepção no ano passado. Estava em São Paulo, em busca de algum programa para entreter uma grávida em uma noite de chuva. Passei na videolocadora e topei com um título chamado Aprendiz de Feiticeiro, produzido pela Disney e com Nicolas Cage e Alfred Molina. Não tinha ouvido falar do filme, mas o título e os dois atores me convenceram. Levei pra casa, e infelizmente assistimos até o fim. Foi provavelmente o pior filme sobre magia que eu já vi. Todos os significados possíveis da magia – sabedoria, espiritualidade, aprendizado e negociação com poderes invisíveis, manipulação da natureza, autoconhecimento – são jogados fora e substituídos por duas coisas: telecinese e atirar raios de luz com as mãos para ferir os inimigos. Como o mais rudimentar dos videogames, a única coisa que o jovem aprendiz e seu mestre fazem é brigar – quase fisicamente – com seus adversários. Um filme muito frustrante, não assistam nunca.

Eu fico pensando que se existe alguém que consegue gostar de uma produção dessas, deve ser o mesmo tipo de gente que reclama que “o tal do Gandalf nem parece mágico” nos filmes d’O Senhor dos Anéis (sim, essas pessoas existem; e não, nunca tentei conversar com elas sobre os livros do Tolkien). Aliás, mais ou menos na mesma época a gente também foi assistir no cinema ao penúltimo episódio de Harry Potter, e me agradou um certo cheiro de Tolkien no ar – nas paisagens certamente, mas também nos tempos, na centralidade da ideia de amizade, em algumas conversas. Pareceu o melhor filme da série até agora. Longe de ser um tratado sobre magia, mas quilômetros à frente do embuste com Nicolas Cage.

E aproveitando que o assunto são poderosíssimos-bruxos-adolescentes-ingleses-de-óculos, tenho que trazer Tim Hunter à conversa. Ele é o personagem central da série de quadrinhos Os Livros da Magia, criada originalmente por Neil Gaiman (até onde eu sei, alguns anos antes de surgir seu sósia Potter). Hunter descobre, no começo da adolescência, que pode vir a se tornar o mago mais poderoso de sua era. Mas se a série Harry Potter é bastante disciplinada (feitiços instrumentais, quase mecânicos ensinados em livros e salas de aula), o processo de formação de Tim Hunter é muito mais caótico, confuso e humano – com crises de identidade, incursões a mundos paralelos e paixões. Também no fim do ano passado, eu tive finalmente a oportunidade de ler toda a coleção (que só teve alguns números lançados no Brasil). A linha narrativa se perde no meio do caminho, muitas pontas ficam soltas, algumas soluções parecem apressadas demais. Mas é uma série bem interessante.

Um novo Castañeda

Posted in Uncategorized with tags , , , , on fevereiro 22, 2011 by felipefonseca

Do blog de Hermano Vianna:

Então continuo esperando um novo Castañeda, para nossa época cyberpunk. Um Paulo Coelho tecno e radicalmente psicodélico. Por vezes acreditei que meu querido amigo Erik Davis poderia assumir esse papel. Até dei esta ordem: “vire o novo Castañeda!” Mas ele não me obedeceu e no lugar de best-sellers, resolveu fazer pós-graduação em teologia. Erik é autor de Techgnosis, relato completo sobre as conexões entre esoterismo e tecnologia. Também escreveu: um tratado brilhante sobre o disco “Led Zeppelin IV”, aquele de “Stairway to heaven”; um guia sobre a Califórnia visionária; e acaba de lançar “Nomad codes”, coletânea de ensaios sobre assuntos tão diversos como o Goa trance, o dub de Lee Perry e novos cultos xamânicos birmaneses.

(foi justamente o Hermano quem me deu a dica do Techgnosis, há alguns anos)

Zodíaco Satelital

Posted in Uncategorized with tags , , , , on setembro 21, 2010 by felipefonseca

A partir das conversas do MSST sobre o vídeo Satélite Bolinha de Bruno Vianna (em que lá pelas tantas se fala em “Astrologia Artificial”), Alejo Duque mandou o link do Satellite Zodiac de Max Neupert:

http://revolwear.com/satellite_zodiac/

Satellite Zodiac

The Super Mario satellite constellation

Satellite Zodiac is a taxonomy of satellite constellations to give satellites visibility and meaning. Satellites can either stand still relative to our position or move on asynchronous paths with different speeds depending on their orbital type. The constellations are therefore determined by time and location. They are ephemeral by nature, existing only for fractions of a second. A theory of satellite constellations must allow for those special circumstances of moving objects in different orbital planes.

Satellite Zodiac is an installation where motor controlled laser pointers display the current position of up to 12 moving satellites in our field of view in real time plus the belt of geosynchronous satellites – the satellite milky way. Just like in a planetarium where the star constellations can be displayed, illustrative interpretation of the emerging (satellite-) constellations explain their meaning and reflect our technological contemporary mythology. The C64, iPod, Gameboy, Polaroid and Walkman are among zodiac symbols of satellite constellations

Inadin

Posted in Uncategorized with tags , , , on setembro 12, 2010 by felipefonseca

E mais um trecho do Piratas de Dados:

p. 331

Era noite. Uma multidão mal-vestida, de cerca de cem pessoas, tinha-se reunido na frente de uma das cúpulas. Esta estava metade aberta, como um anfiteatro improvisado. Os músicos inadin estavam tocando novamente e um deles dançava e cantava. Sua canção tinha vários versos. Outro inadin dançava ao compasso, às vezes dando um forte grito de aprovação. A multidão acompanhava com satisfação.

- O que ele está dizendo? – perguntou Laura.

Gresham começou a recitar a poesia com sua voz de locutor de televisão:

“Ouve, povo dos Kel Tamashek,
Somos os inadin, os ferreiros.
Sempre vagamos em meio às tribos e clãs,
Sempre levamos suas mensagens.
A vida de nossos pais era melhor que a nossa,
E a de nossos avós, ainda melhor.
Há algum tempo, nosso povo viajava por todo lugar,
Kano, Zanfara, Agadez.
Agora, vivemos nas cidades e somos transformados em números e letras.
Agora, vivemos nos campos e comemos comida mágica, dentro de tubos.”

Gresham parou.

- A palavra que eles usam para mágica é tisma. Significa “a arte secreta dos ferreiros”.

- Continue – pediu ela.

“Nossos pais tinham leite, doce e tâmaras.
Nós só temos urtigas e espinhos.
Por que sofremos assim?
Será o fim do mundo?
Não, porque não somos homens maus,
Não porque agora temos tisma.
Somos ferreiros, que têm a magia secreta,
Somos ourives que veem o passado e o futuro.
No passado, esta terra foi rica e verde.
Agora, é rocha e poeira.”

Piratas de Dados – tecnomagia

Posted in Uncategorized with tags , , on setembro 12, 2010 by felipefonseca

Alguns pedacinhos do Piratas de Dados, edição brasileira (bem difícil de encontrar, por sinal) de 1990 do Islands in the Net, de Bruce Sterling:

p. 146

O primeiro-ministro inclinou-se para a frente, os óculos brilhando. Suas medalhas cintilavam.

- Alguns homens negociam com informação – disse para Laura – e outros com a verdade. Mas alguns negociam com magia. A informação flui em torno deles. A verdade flui para você. Mas a magia… Flui através de você.

- Isso é um truque – disse Laura, segurando a borda da mesa. – Vocês querem que eu me junte a vocês. Como posso confiar em vocês? Eu não sou mágica…

- Sabemos o que você é – disse Gould, como se falasse com uma criança. – Sabemos tudo a seu respeito. Você, sua Rizome, sua Rede. Acha que seu mundo abrange o nosso. Mas não é assim. Seu mundo é um subconjunto do nosso – golpeou a mesa com a mão aberta; o barulho foi o de um tiro. Vê, sabemos tudo a seu respeito. Mas você não sabe nada sobre nós.

- Você tem uma piada, talvez – falou Rainey. Estava recostado em sua poltrona, examinando as pontas dos dedos, com os olhos semicerrados e o rosto vermelho. – Mas você nunca vai ver o futuro, o futuro de verdade, até que aprenda a abrir sua mente. Contemplar todos os níveis…

- Todos os níveis debaixo do mundo – continuou Castleman. – Truques, como você chama. A realidade nada mais é senão níveis e mais níveis de truques. Tire esses estúpidos óculos escuros e poderemos mostrar-lhe… Muitas coisas.

p.200

- Por que isso? Por que simplesmente não me telefonou?

- Os telefones não estão funcionando direito – explicou o rapaz. – Estão cheios de fantasmas.

- Fantasmas? – perguntou Laura. – Quer dizer, espiões?

O rapaz resmungou alguma coisa em malaio.

- Ele quer dizer demônios – traduziu Ali. – Maus espíritos.

- Está brincando? – disse Laura.

- Disse que são maus espíritos – repetiu o rapaz, calmamente. – Dizendo ameaças terroristas para semear o pânico e a dissensão, delito, segundo o artigo 15, seção 3. Mas só em inglês, madame! Não usou a língua malaia, se bem que o uso do malaio também seja oficial pela Constituição de Cingapura.

- E o que o demônio dizia? – quis saber Laura.

- Os inimigos dos justos vão queimar com o fogo do inferno – citou o rapaz. – “Turbilhão Jah, para golpear o opressor”. E outras coisas semelhantes. Chamou-me pelo nome – encolheu os ombros. – Minha mãe chorou.

p.210

- Planejaram isto no quartel Fedon. Essa coisa de demônio, projeto demonstração… Tinham trabalhado ali por vinte anos, Laura, tinham tecnologia… não-humana. Eu não sabia nada, ninguém sabia. Posso fazer coisas com esta cidade. Eu e uns poucos irmãos soldados mandados para cá, uns poucos… Coisas que você não pode imaginar.

- Vodu – disse Laura.

- Isso. Com a tecnologia que nos deram, posso fazer coisas que você nem imagina fazer com sua magia.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.